Desde seus primórdios, a internet tem trago consigo um grande legado de evolução, conectando os mais distintos locais do nosso globo. Portanto, em meio a toda essa maré de inovações tecnológicas, ainda havia um desafio a ser superado, conectar diferentes continentes de maneira eficiente.
Cabos Submarinos
A ideia dos cabos submarinos não é nova. Para falar a verdade, os primeiros registros da utilização de cabos oceânicos para transferência de informações são datados do século XIX.
Essencialmente de cobre, os primeiros cabos submarinos formavam uma malha submarina conectando os Estados Unidos e alguns outros países europeus para a comunicação via Telégrafo.
Como funcionam?
Na maioria dos casos mais eficientes e velozes que satélites para a transmissão de dados, os cabos oceânicos funcionam como “rodovias”, transmitindo os dados de um continente ao outro pelo fundo do oceano. Confira esta matéria e saiba por que os cabos submarinos são mais utilizados que os satélites para a comunicação global.
A ideia surgiu por volta de 1842 quando o inventor Samuel Morse, testando a possibilidade de submergir cabos telegráficos, chegou a conclusão de sua viabilidade.
“É possível uma comunicação telegráfica através do Atlântico. Por mais surpreendente que pareça, chegará o dia que esse projeto se realizará”
O primeiro cabo oceânico
Ligando a França e a Inglaterra, o primeiro cabo submarino foi estendido através do estreito de Dover, ainda no ano de 1850. Apesar do grande feito para a época, os cabos utilizados eram de baixa qualidade e terminaram por se partir duas semanas após sua instalação.
Apesar de todas as dificuldades enfrentadas, no ano seguinte, os dois países voltaram a se conectar, e em 1858 já existiam cerca de 30 conexões.
Conexão transatlântica
Diante de sua crescente utilização e o recente êxito em suas instalações, não iria demorar muito para que uma conexão através do oceano voltasse aos holofotes.
O desafio estava dado. Estender um cabo telegráfico por quatro mil quilômetros de água a profundidades que podiam variar entre 700 e 4000 mil metros.
O engenheiro Frederick Newton, o inventor Samuel Morse e o empresário Cyrus West estavam entre os principais idealizadores do projeto. Além disso, o governo britânico entrou com auxílio econômico, além de ceder as embarcações para a realização do trabalho.
Do que eram feitos os cabos?

Sete fios de cobre trançados em seu interior, revestimento de guta-percha e fios de arame, além de uma camada extra com fibra de cânhamo e piche. Assim eram compostos os cabos que fariam a conexão entre os dois continentes pelo fundo do mar.
Representação de como se parecia um cabo submarino telegráfico por volta de 1858 – 1860
Fonte – O cabo submarino que ligou dois continentes em 1858
A comunicação em evolução.
Embora a tecnologia e experiência embarcada hoje seja infinitamente superior a de 1858, a lógica da conexão intercontinental permanece praticamente intocada. Dada a época, a telegrafia era a tecnologia constantemente utilizada para comunicação.
Telefone
Em meados de 1876, durante estudos para aprimorar a eficácia do telégrafo, o estudioso e fonoaudiólogo Alexander Graham Bell e seu assistente Thomas Watson encontraram um meio de transmitir a voz humana utilizando a eletricidade. Sendo patenteada naquele ano a invenção do telefone.
Se seguiram bons anos com o até então novo telefone substituindo o telégrafo e melhorando a si mesmo no processo, porém, apenas em 1956, 80 anos após sua invenção, veio a ser inaugurada a primeira conexão telefônica intercontinental. Feito esse realizado graças ao TAT-1, nome dado ao primeiro cabo telefônico transatlântico, inaugurado em Setembro daquele ano.

Representação do primeiro cabo telefônico submarino (TAT-1)
Fonte: Specimen of the first transatlantic telephone cable, deep sea type, 1956
Internet
A internet surgiu por volta de 1969 como uma resposta dos Estados Unidos à então União Soviética durante a guerra fria. Confira a seguinte matéria e saiba mais sobre o surgimento da internet e da Fibra Óptica.
Apesar de seus primeiros testes bem sucedidos em 1969, a internet até então ARPANET (Advanced Research Projects Agency Network) veio a ser liberada ao público apenas em 1989, seguida pela dissolução da ARPANET em 1990.
Conexão intercontinental
O primeiro cabo submarino focado na transmissão de dados utilizando a internet surgiu antes mesmo de sua dissolução, nos tempos de ARPANET. Ocorreu com a inauguração do até então oitavo cabo produzido pelo consórcio de companhias (AT&T Corporation, France Telecom e a British Telecom), o TAT-8.

Apesar de ser o oitavo cabo submarino produzido pelo consórcio de empresas, este era o primeiro que contava com a tecnologia de fibra óptica. Sendo dez vezes mais capaz que seu antecessor com cabo de cobre (TAT-7), ele conseguia transportar cerca de 280 Mbps (Megabits por segundo).
Representação do primeiro cabo transatlântico de fibra óptica (TAT-8)
Fonte: 1988 – Primeiro Cabo Submarino Intercontinental em fibras óticas TAT – 8
Cabos submarinos hoje em dia
De acordo com um relatório do ‘Center for Strategic and International Studies’ (CSIS) publicado em agosto de 2024, existem quase 450 cabos espalhados por todo o planeta e os mesmos se estendem por cerca de 1,2 milhão de quilômetros. Diferente dos que eram utilizados durante a década de 80 e 90, atualmente um único cabo submarino pode transportar dezenas ou até centenas de Tbps (Terabits por segundos).
Um bom exemplo seria o Dunant, nome dado ao duto marítimo que conecta os Estados Unidos à França. Anunciado pelo Google em 2018, e lançado em 2020, o cabo, que está em operação desde 2021, recebe este nome em homenagem a Henry Dunant. Ele possui uma capacidade de transportar cerca de 250 Tbit/s equivalentes a 31.25 TB/s (TeraBytes por segundo).
Considerando que um vídeo em 4k utiliza cerca de 20 Mbps, um cabo dessa capacidade conseguiria reproduzir cerca de 12,5 milhão de vídeos ao mesmo tempo, ou quem sabe, carregar 30 bilhões de posts no instagram em apenas um segundo. 😯

Cabos submarinos de fibra óptica expostos
Fonte: Google financia mais outro cabo submarino no Brasil, desta vez ligando Rio a São Paulo
Durabilidade

Normalmente, cabos submarinos são projetos com uma vida útil aproximada de 25 anos, sendo quase sempre desativados antes desse prazo, seja por causa de danos ou questões financeiras. Cabos antigos são mais lentos e caros para manter em operação do que os mais novos, além de possuírem tecnologia mais datada.
Ilustração de um cabo submarino fora d’água
Fonte: Facebook e Amazon pede autorização dos EUA para explorar cabo submarino
Quem são os donos desses cabos?
Por se tratar de um segmento de altíssimo custo, uma prática muito comum é a realização de consórcios por parte de grandes empresas interessadas em se beneficiar da nova conexão.
Embora os consórcios sejam bastante comuns e vantajosos, nos últimos anos tem aumentado drasticamente o número de instalações financiadas por uma única empresa. Empresas estas as BigTechs, como por exemplo: Alphabet (Empresa que detém e gerencia a Google), Amazon, Apple, Meta entre muitas outras.
O exemplo mais recente seria o da Meta. Anunciado em fevereiro de 2025, o “Projeto WaterWorth” é, segundo a companhia, “o projeto de cabo submarino mais ambicioso” até o presente momento. Com a conexão, a empresa espera trazer conexão de ponta para os Estados Unidos, Brasil, Índia e África do Sul.
Não foram reveladas informações como: custo do investimento ou prazo para finalização das obras, mas a Bigtech disse que – “O Projeto Waterworth será um investimento multibilionário e a longo prazo com o objetivo de fortalecer a escala e a confiabilidade das rodovias digitais do mundo, com a abertura de três novos corredores oceânicos com conectividade de alta velocidade, necessária para impulsionar a inovação em IA em todo o mundo”.
Submarine Cable Map
Se você é um entusiasta do assunto ou quer saber mais sobre os cabos submarinos, recomendamos dar uma olhada no site submarinecablemap.com.

Este é um site gratuito que mantém um mapa atualizado de todos os cabos existentes no planeta, no entanto o mesmo também avisa que as rotas são ligeiramente modificadas no mapa para fim de ilustração.
Captura de tela tirada no site Submarine cable map – 03/2025
Fonte: submarinecablemap.com
Internet, um esforço global pela conexão
Se hoje podemos, em questão de segundos, realizar uma chamada de vídeo para o outro lado do planeta, é porque muito teve que ser feito para que isso se tornasse possível. Na MacaubasNet isso não é diferente.
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